História Agora

Uma História Social do Conhecimento I – de Gutenberg a Diderot, de Peter Burke

No mês passado recebemos da Editora Zahar um exemplar do livro Uma História Social do Conhecimento I – de Gutenberg a Diderot, escrito pelo renomado historiador britânico Peter Burke. Professor emérito da Universidade de Cambridge, Peter Burke é conhecido, principalmente, por seus trabalhos de história intelectual, em especial sobre o movimento historiográfico dos Annales. Trata-se de um autor que é referência para nós, estudantes de história.

Em Uma História Social do Conhecimento I, Burke tem um objetivo audacioso: ao invés de tratar a história do conhecimento de maneira fragmentada, estabelecendo pontos de ruptura, o autor pretende trabalhar o tema sob uma perspectiva de longo prazo, valorizando as continuidades do processo histórico.

O primeiro capítulo da obra é voltado, especificamente, para questões teóricas e metodológicas. Afinal, como fazer uma história do conhecimento sem cair na velha tradição de enfatizar apenas o papel das elites neste processo?  Ou melhor: o que é conhecimento? Burke problematiza essas questões, vinculando sua abordagem à chamada sociologia do conhecimento, mais precisamente “às teorias clássicas de Émile Durkheim e de Marx Weber tanto quanto as formulações mais recentes de Foucault e de Bourdieu” (p. 18).

Nos capítulos seguintes, a produção e a circulação dos saberes, bem como o estabelecimento de instituições e lugares de conhecimento pelo mundo afora são objetos de análise do autor. Desde questões relacionadas às universidades medievais, ao papel da impressão tipográfica no processo de vulgarização de informações, ao Renascimento, à Revolução Científica, ao Iluminismo, ao desenvolvimento das bibliotecas e de sociedades científicas, entre outros fatos, compõem a análise de Peter Burke. Cabe destacar que, embora sejam temas complexos, a narrativa do autor é extremamente clara e acessível ao público.

Além disso, outro aspecto positivo é o rigor empregado pelo autor, que toma as devidas precauções para não cometer anacronismos com relação aos termos utilizados no livro. Um deles diz respeito ao uso da palavra intelectual. Segundo Burke, como a palavra intelectual é datada de um contexto bem específico do fim do século XIX, no decurso do debate francês sobre o caso do capitão Dreyfus, sua aplicação em contextos distintos e retrospectivos torna-se inviável. Assim, na esteira de autores como Samuel Coleridge e Ernest Gellner (p. 26), Burke prioriza a utilização do termo letrados para se referir e descrever os especialistas do conhecimento. Este cuidado, embora possa parecer desnecessário para quem não é da área de história, mostra a seriedade com o qual o autor produziu sua pesquisa.

Por fim, cabe destacar que o livro traz uma série de conteúdos até então pouco explorados em língua portuguesa, e que é uma ótima leitura para quem pretende conhecer mais sobre como o conhecimento em geral foi produzido nos mais distintos contextos da história da humanidade. Vale a pena a leitura!

 

INFORMAÇÕES

 

Lançamento: 29/4/2003.

Assunto: História.

Tradutor: Plinio Augusto de Souza Dentzien.

244 páginas.

16x23cm.

1ª edição.

Link para compra: http://www.zahar.com.br/livro/uma-historia-social-do-conhecimento-i

 

 

 

Robson Bertasso

Acadêmico do curso de História da UFPR. Possui interesse em temas relacionados à História da Historiografia e à História das Ciências Sociais na França. contato@historiaagora.com.br

Comentários no Facebook