História Agora

Para uma outra idade média, Jacques Le Goff

No mês passado recebemos da Editora Vozes um exemplar do livro Para uma outra Idade Média: Tempo, Trabalho e Cultura no Ocidente, do renomado historiador francês Jacques Le Goff. A obra foi publicada no Brasil em 2014, com tradução de Thiago de Abreu e Noéli Correia de Melo Sobrinho, contudo, a versão francesa, intitulada Pour une autre Moyen Âge, data de 1977.

Sem dúvida, Jacques Le Goff é um dos historiadores mais reconhecidos do século XX. Estudante da École Normale Superieure, sucessor de Fernand Braudel no comando da École des Hautes Études en Science Sociale, co-diretor  da Revista Annales na década de 1970, sua obra reflete a excelência de sua trajetória acadêmica.

Na obra em questão, fazendo uso de instrumentos heurísticos de várias áreas do conhecimento, como da Economia, Antropologia e Psicanálise, Jacques Le Goff reavalia uma série de aspectos da vida social do período da Idade Média, como tempo, trabalho, sistemas de valores, cultura erudita e cultura popular. Um dos principais pontos positivos da obra é apresentar ao público, além das traduções, a transcrição de várias fontes em latim nas notas de rodapé, como estatutos universitários, obras de literatura e hagiografias, o que mostra a preocupação do autor para com os pesquisadores da área, já que os documentos não são acessíveis a qualquer um.

Por uma outra Idade Média está estruturada em quatro capítulos gerais. No primeiro, o autor discute questões relacionadas à maneira como a Idade Média foi abordada pelos historiadores, em especial por Jules Michelet, durante o longo século XIX, e às categorias de tempo e trabalho, destacando o papel do camponês no campo econômico e social. No capítulo seguinte, a análise é voltada às instituições universitárias, às estruturas das cidades e ao poder público. Em síntese, a principal questão que permeia este capítulo diz respeito à função do saber na sociedade medieval. Afinal, qual o papel desempenhado pela Universidade neste contexto? No terceiro capítulo, Le Goff ocupa-se da cultura popular e da cultura clerical, percorrendo ritos, permanências, trajetória de santos, simbologias, enfim, as construções do imaginário do homem medieval. Por fim, o último capítulo, com característica mais teórica, é destinado à realização de uma aproximação entre História e Etnologia, que pode ser considerada, em meio às discussões entre Braudel e Lévi-Strauss, inovadora para a época.

Trata-se de uma obra essencial para qualquer pessoa interessada por história, seja estudante ou simplesmente um curioso, pois ela representa o que há de melhor no universo historiográfico: rigor científico e erudição aliados a uma boa narrativa.

 

Link para compra: Editora Vozes.

 

Robson Bertasso

Acadêmico do curso de História da UFPR. Possui interesse em temas relacionados à História da Historiografia e à História das Ciências Sociais na França. contato@historiaagora.com.br

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