Babilônia: a Mesopotâmia e o nascimento da civilização

A Editora Zahar lançou no mês de fevereiro a obra “Babilônia: a Mesopotâmia e o nascimento da civilização”, de Paul Kriwaczek.

Foi com uma imensa alegria que recebemos a notícia deste lançamento, tendo em vista que o mercado editorial brasileiro pouco investe em publicações voltadas à história dos povos do antigo oriente próximo.

Destacamos, em primeiro lugar, que não se trata de uma obra acadêmica – fato que em nada a desmerece. Paul Kriwaczek (1937-2011) foi um jornalista que atuou, principalmente, como produtor de programas educativos na rede britânica de televisão – BBC. Além de “Babilônia”, o jornalista escreveu outros trabalhos sobre civilizações antigas, como por exemplo, “Yiddish Civilisation” e “In Search of Zarathustra”, livros que ainda não foram publicados no Brasil.

“Babilônia: a Mesopotâmia e o nascimento da civilização” é composta de 10 capítulos, abrangendo um recorte temporal que se inicia com as primeiras formas de organização social localizadas na antiga cidade de Eridu, ocorridas há aproximadamente 6000 anos, e termina com o aumento exponencial dos povos arameus pela região, que, na perspectiva de Paul Kriwaczek, deteve a longa e rica tradição mesopotâmica há 2700 anos.

Sem dúvida, o que mais atrai em “Babilônia” é a sua leitura envolvente e acessível. Vejamos, por exemplo, como o autor ressalta a vida cotidiana que há intrinsecamente – para além das informações gravadas nas tabuinhas – nos textos cuneiformes:

“Os textos cuneiformes podem parecer desinteressantes e pouco empolgantes, mas há neles, na verdade, algo de maravilhosamente íntimo. Essas marcas, não posso deixar de pensar, foram feitas por uma pessoa, que provavelmente tinha família, mulher (os estudiosos creem que os escribas eram predominantemente homens) e filhos, e cuja experiência de vida não pode ter sido tão tremendamente diferente da nossa, mesmo numa sociedade tão diversa numa época tão distinta” (KRIWACZEK, P, 2018, p. 30).

Junte-se a isso o rico material ilustrativo do livro, como mapas e fotografias, que nos ajudam a compreender melhor uma das principais civilizações da antiguidade.

Uma das partes mais interessantes da obra é o primeiro capítulo, intitulado “Lições do Passado: uma Introdução”, no qual Paul Kriwaczek faz uma excelente reflexão a partir de um contraponto entre as configurações geopolíticas do Irã e do Iraque atuais – locais onde viveram os antigo babilônicos – com o estudo da antiguidade, concluindo:

“Embora os experimentadores da antiguidade tenham morrido há muito tempo, deixando seus nomes predominantemente esquecidos, suas casas queimadas, suas posses dispersas, seus campos tornados estéreis, suas torres dos templos destruídas, suas cidades enterradas sob montanhas de pó e seus impérios recordados, se tanto, pelo nome, sua história ainda promete nos ensinar muito sobre como chegamos à nossa atual maneira de viver”.

Portanto, se você procura um material introdutório sobre a Antiga Mesopotâmia, de boa qualidade e, principalmente, com uma leitura acessível, eis nossa dica de leitura.

Compre-o aqui: http://amzn.to/2IJq91G

 

Robson Bertasso

Graduando em História pela UFPR. Tenho interesse em temas relacionados à História da Historiografia e à História das Ciências.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *